Brasil - 21.11.08 |

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Linha Dura


GIBI HIP HOP FORA DO EIXO APRESENTA:
10/05/2008

Linha dura em: Cartão de crédito só pra favelado?

E ai linha tudo bem?

Fala parente pela ordem? Então se ta ligado que estamos com um projeto que se chama favela card?

hahahha que porra é essa gurizão, um novo cartão de crédito só para os favelados agora?

Não veio é o seguinte ­no mundo todo rola uma discussão sobre uma nova forma de sobrevivência onde o trabalho seja mais valorizado mais justo onde a diferença entre o rico e o pobre fiqeu cadê vez menor, aqui no Brasil chamam isso de Economia Solidária, Moeda complementar enfim, em cuiabá a cena urbana teve um grande avanço quando a galera do espaço cubo inventou o CUBO CARD e começou trocar serviço entre as bandas, produtores...

como assim parente?

Cara é simples vou usar nós mesmo como exemplo, nós organizamos o Festival Consciência Hip Hop que já esta na 4 edição uma puta estrutra e alguns grupos de rap já me intimaram em receber cachê, tipo agente não tem condições de pagar cachê para grupos ainda mais os grupos que estão começando agora, mais nós temos outros serviços que agente pode oferecer para os grupos tipo, estamparia de camiseta (núcleo de serigrafia), dar assessoria de imprensa para o grupo,dar oficinas sobre elaboração de projetos, oficinas de comunicação, criar blog, myspace, atualizar diariamente esses veiculos, cara tem mais coisa tipo agente tem um estúdio de gravação de ensaio ai eu te pergunto, quantos grupos que ainda não tem uma musica demo se quer? Quantos grupos que não tem um lugar da hora pra ensaiar ? Tem grupo que não tem nem release, Nós da cufa já temos uma estrutura e queremos trocar com outras pessoas e mais que isso queremos ensina-las oq eu já aprendemos.

Então mais por exemplo, quando vocês vão comprar o pano pra fazer a camiseta pra depois silkar na serigrafia ou mesmo as tintas eles aceitam o favela card?

Então gurizão a fita que rola é assim, agente não vai destruir o capitalismo né, ou talvez um dia sei lá eu prefiro acreditar mais sei que na minha geração que não vai ser, mais não podemos ficar parado né temos que mexer para os próximos que virão venham cada vez com mais pegada na transformação do sistema capitalista, e ações como essa já é um puta avanço, então qual é a solução pra isso? Simples temos que trabalhar com cotas onde um pouco temos que vender e fazer dinheiro e outro pouco no FAVELA CARD, a grande sacada é mostrar para as pessoas que podemos ser mais solidários, mais cooperativos, e quebrar aquela visão do consumismo desenfreado tipo me compre de qualquer jeito foda-se da onde vem a grana, compre mais, compre mais e o lucro é o que interessa, e mais hoje aqui estamos muito bem organizado entre os coletivos de rock, hip hop, teatro mais a pegada é fazer isso virar na comunidade onde trocaremos em leite, pão sacolão etc..

Para isso é viagem

que viagem gurizão se nunca ouviu falar do banco de palmas não? É possível lá rola isso ai.

E se acha que os caras do rap vai entrar nessa? Neguinho do Rap quer saber disso não linha.

Bom tem aqueles que estão querendo ser famoso né, aquele que viaja ainda, acha que vai ser contratado por uma grande gravadora e tal, esse ai a lógica dele é assim, vou fazer uma música que todo mundo vai ouvir vai gostar e vão querer comprar meu show, isso ai já era lá em São Paulo por exemplo toda vez que vou pra lá, todos reclamam que não tem show que os bagulho ta miado por lá, e ai será por que? Eu acredito que seja por que o rap entrou na lógica do capitalismo não pensaram em um sistema de vascularização ou se pensaram não conseguiram colocar em pratica, e hoje já tem uma pá de gente se ligando que essa lógica não serve para a maioria e somente os mesmo que são contemplado, você já ouviu falar do hip hop fora do eixo?

Não

Então o Hip Hop Fora do Eixo de uma maneira bem resumida é uma rede onde as pessoas se conectam e trocam experiências um com outros, são vários coletivos e artistas disponibilizando projetos, tudo dentro dessa lógica da moeda social, a grana não é o foco queremos mudar o rumo e buscar uma alternativa para que todos consigam ter suas estruturas mais não dependendo de ninguém e sim cada um aprendendo a fazer seus próprios corres tendo uma independência, até agora no hip hop nacional eu não vi nada igual.

Ai Linha deixa eu ir que tenho que fazer um role lá no pedregal depois agente coversa.

Ou vai com Jah agente se vê manda um abraço pros caras lá do 288 e se liga na idéia e pode acreditar o hip hop fora do eixo, favela card já virou gurizão e zóião não entra só aqueles que realmente querem descentralizar. Vombora.

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3 comentários

OS FORA DO EIXO
17/04/2008

Os Fora do eixo

Fala geral, pela ordem? Pra quem não me conhece eu sou o Linha Dura sou músico sou do rap, estarei postando nesse blog algumas idéias que passa pela minha cabeça e compartilhando também os meus rolês e minhas correrias pelo mundão brasileiro.


Pra mim é um puta desafio escrever, por que não tenho esse hábito, confesso que gosto mais de ler do que escrever, mais é isso ai, se o português aqui proposto não tiver correto entendam que eu sou melhor na escrita e na linguagem favelês (risos).


Acabamos de sair de uma produção sinistra que foi a REVIRADA CULTURAL CUIABANA, onde teve a participação de várias atrações locais e duas nacionais, Vanessa Camargo e Racionais MC’S, casa cheia, várias tretas e muita aprendizado.


Depois do último show, como sempre em plena madrugada, lá por volta das 03h00min estava lá a tropa de elite da cultura cuiabana, trabalhando iguais uns loucos, uns carregando as cadeiras, desfazendo os camarins, outros limpando e assim segue a vida dos artistas serventes. Nessa estava um bolinho de gente discutindo sobre políticas públicas, sobre o show, sobre a postura dos artistas, puta que pariu 3 da madruga todo mundo pregado ainda com disposição pra esse tipo de assunto.


Os assuntos foram vários, discutimos postura da Vanessa, dos Racionais do Vanguart. Pablo sempre ele, metendo o dedo na ferida, falando que era moagem do racionais pedir dois vinho no camarim, o Vanguart pedir R$1.000,00 conto para seus gastos locais, eu contrapondo algumas idéias, mais se liga você que não estava na situação é melhor não julgar o que estou escrevendo por que aqui não estão todos os argumentos nem meu e nem do Pablo nem o porquê dele achar moagem e etc... E assim passamos uns 40 minutos sentado no bolinho de mais ou menos umas 15 pessoas.


Mais vou tentar explicar melhor o que ta rolando. Construirmos em Cuiabá a GOVERNANCIA INTEGRADA DA CULTURA, que é formada por vários coletivos e indivíduos no intuito de desenvolver ações sócio-cultural e junto com o governo municipal propor políticas públicas especialmente na área cultural. Nessa de cara ficamos incumbidos de produzir junto à secretaria municipal de cultura o aniversário de Cuiabá com uma programação extensa que toma todo o mês de abril, nisso chegamos a uma conclusão que todos os envolvidos (artistas, produtores, jornalistas...) ganhariam um mesmo valor em dinheiro, um recurso pequeno, porém enorme na proposta, pois estamos quebrando paradigmas, antes muitos viam a prefeitura somente como uma empresa que tem como obrigação apoiar projetos por que pagamos imposto e blá blá blá, admito que pensava assim também, porém esse modelo comum onde todos tem que fazer seus esquemas para que seu projeto seja aprovado cai por terra na visão da governancia. Estamos matando o discurso de quem pode mais chora menos, queremos estar realmente pautando o rumo dos recursos destinados principalmente nesse primeiro momento na pasta da cultura, pra isso não posso deixar de ressaltar que se o nosso secretário não tivesse um proceder aberto, amplo, jamais teríamos a oportunidade de se quer começar um diálogo.


Se realmente a maquina pública é de todos então queremos fazer jus a essa idéia, mas não esqueçam que tudo tem seu lado bom e ruim, e talvez pra muitos ou alguns R$300,00 Reais para fazer uma produção que nos padrões normais cobrariam muito mais, talvez ai seja um lado ruim da proposta, mais coletividade é isso é abdicar e estamos passando por um momento na história onde todos estão falando em salvar o planeta devido ao aquecimento global, então nesse momento até pra sermos egoístas temos que pensar no conjunto. Tendo isso como base de pensamento de vivência acredito eu que melhoraríamos e muito nossa passagem aqui na terra, diminuindo o ego e vaidade de cada um, um pouquinho da ambição também, é esse o rumo do artista serviçal entendendo que o mundo a finalidade não é só o palco, os holofotes, para o holofote acender muitas taxas e impostos temos que pagar e só quem ta na base sabe o que é ter essas fortes emoções, como o mano brown no seu disco fala “o show propriamente dito é só um detalhe”.


E ai gurizão, gurizona parece loucura isso né, e você acha o que sobre tudo isso? Acha que o artista tem que estar em seus pedestais mesmo ganhando milhões mais do que qualquer trabalhador que estudou também anos na faculdade? Assim penso o mesmo pro jogador do futebol, acha que o modelo do governo esta certo? Eles têm a grana e o poder e nós vamos lá e pedimos o nosso patrocínio? Ou acredita nisso que estamos construindo que é realmente uma gestão participativa da sociedade civil organizada, buscando soluções junto aos que estão com a maquina pública na mão e sem deixar de criticar, pontuar, ou seja, sem se vender como muitos tanto temem.


Bom eu não sei o que você acha sei que estamos construindo um caminho diferente, por que o que foi construído há séculos não funciona para a maioria. Vombora tentando, caindo e levantando, nova forma de pensar construindo e reconstruindo novos conhecimentos.

Linha

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