Brasil - 21.11.08 |

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Pablo Capilé


Música de Salvador!
18/11/2008

Cheguei ontem de Salvador onde participei do Forum de Música, Mercado e Tecnologia promovido pelo Funceb em parceria com o Sebrae e gostei muito do que vi, a cena de salvador vive um belo momento, com muita gente disposta a desconstruir velhos modelos e de criar novas alternativas de produção la no estado.

Destaque para as mesas de Jornalismo Cultural, associativismo e Festivais, que contaram com ampla participação da galera presente, rendendo otimas discussões e varios debates pós-forum.

A minha mesa por exemplo precisou se extender para o outro dia, tamanha a vontade dos soteropolitanos em conhecer novas experiencias, a de jornalismo cultural durou uma hora e meia a mais que o previsto, com Bruno Nogueira, Bruno Maia e Luciano Mattos bastante satisfeitos com o feedback do público.

Sem falar no excelente trabalho que vem sendo desenvolvido pelo gilberto na diretoria de música da funceb, investindo na formação de novos agentes e na qualificação da Cadeia produtiva. 5 artistas baianos estarão presentes no South by Southwest e serão patrocinados pelo Governo do Estado, por exemplo.

Conheci melhor tambem os trabalhos da IMA e da ACCRBA, ambos bastante interessantes.

Outra ação muito interessante é a rede música nordeste, que esta caminhando a passos largos em uma parceria entre as secretarias de cultura de cada estado e o sebrae, construindo uma teia de açoes conjuntas que serão muito benéficas para a região nordeste a medio prazo. Acho que a galera do rock precisa estar mais perto desse debate, que ja esta bastante avançado diga-se de pasagem.

Valeu os papos ai Vince, brunão, roney jorge, gilberto, bigs, sandra, messias, gabriel, cassia etc...tudo muito produtivo.

Parabéns a todos os que participaram e até a proxima.:)

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De volta!!
03/10/2008

Após muito tempo, volto a atualizar o blog e prometo que a freqüência aumentará bastante a partir de agora, tenho algumas coisas a compartilhar com vocês e portanto espero que este espaço possa servir como um canal constante de dialogo com os interessados em conhecer um pouco mais os trabalhos que desenvolvemos. Bem vindos de volta.:)

No ultimo mês participei de vários festivais, feiras e debates em diversas cidades do país e cada dia mais tenho a certeza do crescimento de uma nova lógica de produção da musica independente no país. Fui a Buenos Aires participar da Bafim, estive na Feira da Música de Fortaleza, palestrei no curso de gestão cultural promovido pelo Itau Cultural em Rondônia, conheci o Se Rasgum em Belem, retornei  ao festival varadouro no Acre, cumpri varias agendas de trabalho em Brasilia e no Rio de janeiro, estive novamente em Uberlândia no jambolada, enfim, muita coisa bacana que relatarei nos proximos dias.


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Bandas e seu modus operandi:
02/06/2008


O mercado independente da música tem crescido bastante nos últimos anos, isso é fato, e com este crescimento dezenas de bandas tem conseguido difundir seus trabalhos nos mais diversos circuitos do país, sejam eles locais, regionais e nacionais, oportunizando assim variados modelos de gestão de carreiras, onde cada banda tenta de sua forma criar condições para se auto-gerir nesse grande emaranhando de possibilidades surgidas pós internet em todo mundo, acho bacana refletirmos sobre alguns destes modelos:

1- Artista igual Pedreiro

Bandas acostumadas com o trabalho duro, construindo tijolo por tijolo o alicerce de sua Obra, realizando parcerias com lojinhas de materiais de construções locais, pesquisando e construindo novas ferramentas que se adéqüem ao seu trabalho. Estas bandas entendem a importância da formação de novos pedreiros, já que a união destas forças de trabalho viabiliza uma estrutura mais vigorosa e com características diversas, fugindo então da uniformidade que tradicionalmente assola as construções gerenciadas pelos tais ARQUITETOS Da Música Brasileira. Os pedreiros se caracterizam também pela acessibilidade da mão de obra, freqüentemente trocando sua força de trabalho com os parceiros sem supervalorizar os serviços prestados, entendo muito bem as especificidades de cada terreno, de cada planta, de cada construção. Além disso chegam a pagar para auxiliar na criação de novas estruturas em outras cidades e outros estados, investindo assim na troca das mais diversas matérias primas fundamentais para a construção dessa megalópole da musica brasileira.

2- Artista igual Mestre de Obras

Bandas que foram pedreiras por um breve período de tempo, e antes mesmo de adquirir a experiência necessária para os primeiros alicerces decidem construir estruturas muito maiores que as ferramentas que têm disponíveis e para isso decidem se aliar a determinados “Arquitetos da música brasileira”, que possuem diplomas nas antigas universidade MAJORIANAS, e oferecem tratores, guindastes, etc... Estas bandas, ao forjar o papel de pedreiras, constroem alicerces de faixada com o único objetivo de instalar trampolins , utilizando-os no momento conveniente. Ao deixar as obras inacabadas, acreditam estar alcançando novos andares e não percebem que a ausência de pilares de sustentação inviabiliza o funcionamento do trampolim..... Tempos depois , frustrados , ao perceberem as rachaduras em suas empreitadas, tentam reconstruir os alicerces deixados para trás e percebem que outros pedreiros a demoliram e construíram vigas mais solidas. Sentam e choram!

3- Artista Igual Arquiteto

Bandas que trabalham como pedreiras mas se apresentam como arquitetas. Morrem de vergonha de sua origem humilde e por este motivo vivem falando mal dos seus pares, tentando dessa forma se desvincular ao Maximo de sua realidade. Esquecem de seu próprio tamanho, mentem sobre a sua profissão, e acabam por acreditar na mentira. E ao abraçar esse conflito de identidade não conseguem desenvolver com eficácia nenhum dos trabalhos, o que acaba os afastando tanto dos pedreiros quanto dos arquitetos. Ao se verem isolados, tentam de todas as formas chamar a atenção,atiram para todos os lados, e por fim, como grande obra prima de sua carreira, retornam a sua realidade e constroem amargamente, tijolo por tijolo, o seu caixão.

Os exemplos de cada caso eu deixo pra vcs...:)


Caso conheçam outros modelos é só postar ai nos coments que este é um debate bem bacana...

Até.


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Reflexões sobre o Efeito Mallu!
26/05/2008


Há 15 dias a Casa Fora do Eixo retomou seus trabalhos em grande estilo, com o show da menina-sensação-prodígio-indie Mallu Magalhães,  na maior lotação da CAFE até hoje, 500 pessoas de fluxo e mais 150 que não conseguiram entrar. Foi incrível a repercussão de Mallu em Cuiabá,centenas de ligações durante a semana, link ao vivo na Globo Local, ingressos vendidos com uma rapidez absurda, fila quilométrica na frente da CAFÉ, gritos histéricos, centenas de autógrafos, histeria total.

Muitos acham que o sucesso de mallu é proveniente de grana investida por alguém em merchan, ou algum pistolão que a apadrinhou, sendo que na verdade Mallu esta galgando seus passos de forma tão independente quanto qualquer banda independente, a única diferença é que uma Mocinha, de 15 anos, talentosa, com influencias sofisticadas, acaba sendo uma pauta que consegue rapidamente convergir as atenções de todas as mídias do país, sendo elas independentes ou oficiais.

Mallu conseguiu em 5 meses o que algumas bandas conseguem em 5 anos. Mas, o mais importante e sintomático disso tudo é que o faz sem jabá, sem gravadoras, sem antigas formulas, pura e simplesmente alicerçada nas novas tecnologias que possibilitaram que os 400 reais recebidos em seu ultimo aniversario se transformassem no maior fenômeno indie surgido no país.

Comparemos por exemplo, a carreira do Vanguart com a ascensão meteórica da menina prodígio. O Vanguart começou a despontar em Cuiabá no ano de 2004, quando começa a se apresentar nos eventos da crescente cena cuiabana,  e neste momento alguns fatos foram fundamentais para a continuidade da banda, vamos a eles:

1-    No fim de 2002 ou 2003, não lembro ao certo, Hélio volta da Bolívia sem a mínima disposição em transformar o Vanguart em um trabalho de verdade, até então tinha gravado apenas algumas faixas no El Gordo estúdios, que na verdade era um estudiozinho caseiro do Reginaldo, baixista da banda, que a época tocava bateria no Vanguart e era vocalista de uma banda hiper promissora de Cuiabá, o Deefor. Helio queria na verdade dar continuidade ao Vallium, outro projeto que tinha, e após uma serie de converssas começou a visualizar que seria bacana se apresentar ao vivo com o vanguart, o que até então não tinha rolado.


2-     
No inicio do ano seguinte a banda começa a se apresentar nos eventos do cubo, com a sua formação inicial, com Helio no violão, Julio no Baixo e Reginaldo na bateria. Mesmo sem levar tão a serio o projeto, a banda foi sendo colocada para tocar em vários shows, de pequeno, médio e grande porte, de escolas da rede publica, a festivais locais, e como conseqüência começam a angariar um séqüito pequeno mais fiel de fãs, e já agregava mais um integrante a banda o guitarrista David Dafre.. Nesse momento a principal banda cuiabana era o deefor, liderada pelo Reginaldo, que gostava muito de tocar no Vanguart mas priorizava totalmente seu projeto principal. O deefor inclusive foi a primeira banda cuiabana a tocar em um dos grandes festivais do circuito, o Bananada 2004.


3-     
Nesse meio tempo David foi embora para o Rio de Janeiro fazer faculdade de Cinema, a banda voltou a ser um trio, e continuou tocando na cena local, que crescia gradativamente. David fica menos de um ano no rio e volta a Cuiabá, visualizando que a cena estava bacana o suficiente para escolher a banda ao invés da faculdade. Nesse momento, o Douglas Godoy, que era coordenador do Estúdio Cubo de Gravação e guitarrista/baterista das antigas na cena, começa a fazer participações especiais com a banda, tocando guitarra em algumas músicas e teclado em outras.


4-     
 Reginaldo vai para o bananada 2004 se apresentar com o DEEFOR e quando volta , mesmo com a excelente repercussão do show decide dar uma parada nas atividades ligadas a música e se ausenta completamente da cena. O deefor com a ausência de Reginaldo, acaba e o Vanguart, já numa crescente, assume o posto de principal banda da cena, agora sem baterista. Com a ausência do Reginaldo a banda busca uma solução caseira, e efetiva Douglas na bateria, e  define um esqueleto central.


5-     
Os mais de 60 shows realizados nesse período estimularam e muito a banda a começar a pensar em realmente sobreviver da música, o que era um hobbie começava a se transformar em profissão e com os 4 estimulados começamos a pensar na inserção da banda no circuito de festivais. O primeiro deles foi o bananada, em conjunto com uma noite senhor f, sucesso total de publico e critica. Logo após vão para o Mada, mais uma bola dentro, começam então a despontar no cenário nacional, com criticas positivas e com novas propostas de shows. Em agosto fecham a noite de sábado do Calango, em uma noite catártica, jogando em casa, leva milhares de pessoas a cantarem as suas musicas, e convencem os produtores de todo pais que vieram ao festival que um grande potencial estava nascendo ali.


6-     
Antes mesmo do Calango, já com grande repercussão por onde passava, Julio decide deixar o baixo bem no momento em que Reginaldo estava voltando timidamente a cena local, e de pronto recebe o convite para substituí-lo, pensa alguns dias e topa. Com o suporte do Espaço Cubo começa a se apresentar em diversas cidades e festivais do país, em 2006 faz quase todo o circuito, o que era um Power trio folk sem pretensões se transformava em uma das principais bandas independentes do pais, o que era hobbie se transformou em investimento em passagens e mais passagens.


7-     
No fim de 2006 a banda já era uma realidade, lotando casas de shows em Cuiabá e em varias cidades do país, recebendo cada vez mais convites com passagens e cachês, sendo muito bem avaliada pelos principais veículos de comunicação do país, e etc....em 2007 mudam-se para São Paulo e o resto a maioria de vcs já conhece.

Conclusão :  Se fossem meninos de 12 anos de idade(pq pra homens 15 anos não é tão novidade assim para a grande mídia) , tocando folk rock bem feito, com influencias sofisticadas e etc, não precisariam ter passado por tantas etapas e investimentos até aqui.

Conclusão 2: Se tiver 15 anos e for menina vc aglutina odo mundo no mesmo momento, se não for , aglutina do mesmo jeito mais em momentos distintos, com formatos distintos.

Conclusão 3: Da próxima vez o efeito mallu só vai rolar se vc tiver 9 anos de idade, talentoso e Cult.

Conclusão 4: Todas as conclusões anteriores demonstram a falência das velhas formulas e deixam ainda mais claro que só há uma opção, investir num planejamento de carreira de médio e longo prazo, com muito investimento e correria. Até pq, ao ler esse texto, com certeza absoluta, vc já passou da idade limite para ser o novo hype.


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Rapidinhas...
07/05/2008

* Gostei muito da banda hey hey hey la de Porto Velho, tem tudo pra ser a banda de rondonia a rodar o circuito de festivais, performatica e cada um dos musicos ali sabem bem o que ta fazendo em cima do palco. Sem falar que sáo envolvidíssimos no movimento beradeiros, sendo que o vocalista Marcos é o presidente da Associação.

* Sabado a Casa Fora do Eixo será reinaugurada, incrivel como está grande a procura por ingressos, a mallu ta hypadissima mesmo, e ta só começando. As bandas que vào abrir tambem sao novas apostas aqui de cuiabá, fiquem de olho nelas, Snorks, Vitrolas Polifonicas (que tambem tem uma menina prodígio no vocal) e Los Bobs. A casa vai balançar literalmente.

* Ja estou fechando a programaçao do Calango 2008, com certeza será o maior de todos que ja fizemos. Aguardem.

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