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| Pablo Kossa |
O novo Centro de Goiânia 04/06/2008
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Texto que publiquei na edição de hoje do jornal Diário da Manhã.
O novo Centro de Goiânia
Sempre gostei do Centro de Goiânia. Me sinto super à vontade nas avenidas e ruas do bairro. Sou filho daquela região da cidade. Por isso tenho tanta birra com o Setor Bueno e adjacências. Não consigo me dar bem com Nova Suíça, Jardim América, Serrinha, Parque Anhangüera... Parece que quem é do Centro, não se adapta e tem uma boa relação com o Bueno. Bom, eu sou um exemplo desse tipo de gente.
Para matar o tempo em algumas tardes da adolescência, circulava pelos sebos da Goiás e da 4, procurando discos e livros. Uma diversão sem tamanho. No final da caminhada, comia um pastel com um suco de laranja e voltava andando para casa. Boas tardes passei nesse esquema. Quando não rolava o pastel, ficava feliz com aquele clássico cachorro quente das Lojas Americanas – que hoje, infelizmente, vive só na minha memória gustativa, já que acabaram com a lanchonete dessa loja de departamentos.
Por isso manifesto tanto apoio às ações que tenham o intuito de devolver o charme de outrora ao Setor Central. Toda sexta-feira, uma felicidade sem fim habita meu coração quando ando pela Rua 3, entre a Galeria do Cine Ouro e o Grande Hotel. Ali, é possível respirar cultura. As famílias saindo da apresentação de chorinho na rua e indo para o jazz. Casais fazendo o caminho inverso. Amigos se encontrando no calçadão da Rua do Lazer. A vida sadia volta ao Centro e isso não tem preço.
Como mostram outras experiências pelo País (Rio Branco, Rio de Janeiro, São Paulo, Curitiba...), está provado que a cultura é fator primeiro para não só se revitalizar o Centro, mas também para revalorar e criar uma nova imagem do bairro junto à população que ali trabalha/circula/reside. A Rua Augusta em São Paulo adquiriu o velho charme graças às boates de perfil artístico que se reuniram por ali. A Virada Cultural paulistana é outro bom exemplo de investimento em cultura que revalora o Centro. No Rio de Janeiro, a Lapa, ao lado do Centro, também se reorganizou e já exibe uma bela vida noturna.
E o que falta para o que o Centro de Goiânia atinja o conceito de décadas passadas? Pequenas políticas públicas que possam consolidar esse trabalho. Duas ações conceitualmente simples (Goiânia Ouro e Grande Hotel Revive o Choro) já foram suficientes para dar um novo astral às sextas. O desafio agora é estender essa vida para os demais dias da semana. Uma sugestão seria oferecer incentivo fiscal a quem desejasse trabalhar com cultura e lazer na região. Restaurantes, bares de música ao vivo, casas de show para os artistas locais, escritórios culturais, cinemas, teatros... Enfim, o governo iria fazer sua parte para estimular a iniciativa privada na revitalização do espaço.
Com esse pequeno passo, vários projetos maiores poderiam nascer. Como a criação de mais centros culturais nos cinemas que viraram igrejas ou cinemas pornôs, a realização de uma Virada Cultural goianiense, um festival multicultural em datas específicas... Enfim, boas idéias não faltam. Basta um pouco de trabalho. Vamos lá?
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Bananas for you all 30/05/2008
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O último Bananada foi uma quebra de interessantes paradigmas da cena indepentende goiana. Como saldo positivo, o festival mostrou que ainda é possível fazer um baita evento com bandas que não são as queridinhas do público e ainda sobrar em qualidade. Sim, pois praticamente a totalidade das atrações convidadas de outros Estados nunca havia tocado em Goiânia (exceção ao Chucrobillyman) ou eram completamente desconhecidas do público (exceção à estrela-indie Mallu Magalhães). E o público correspondeu à altura da qualidade das bandas.
O Martim Cererê ficou bonito de se ver. Não é despropositado que colocam Goiânia como a capital dessa nova cena musical brasileira. E eu sou orgulhoso desse título. Tenho orgulho demais de morar nessa cidade, onde artistas tão díspares quanto Violins, Necropsy Room e Diego de Moraes convivem harmoniosamente no mesmo espaço. Isso não é comum em outros locais do País ou do mundo.
Parabéns ao público de Goiânia! Parabéns à organização do festival! Parabéns aos excelentes palestras do Seminário Brasil Central Music/Bananada! Parabéns às bandas que tocaram!
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A chance de aprender alguma coisa 21/05/2008
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Texto que publiquei na edição de hoje do jornal Diário da Manhã, de Goiânia.
A chance de aprender alguma coisa
A molecada dos dias de hoje está muito esquisita. A rebeldia juvenil é descarregada em blogs. A contestação de valores se expressa nas comunidades de orkut em que o cara está participando. O hedonismo beira o limite do absurdo. Os relacionamentos se iniciam, consolidam, entram em crise e terminam por meio do MSN. Enquanto isso, o contato face a face é cada vez menos importante e fica relegado ao décimo sétimo plano.
Pegando o caso particular do universo em que mais convivo – o meio musical independente de Goiânia –, a situação chega ao cúmulo do ridículo. Todo mundo é cheio de certezas, lista convicções fabricadas por professores pseudo-intelectuais, cita formadores de opinião mestres do factóide e não tem o menor interesse em aprender algo sério e consistente. Isso é perda de tempo para essa molecada. Isso dá trabalho. Isso é chato. Como se o ato do aprendizado fosse prazeroso... Na verdade, esse mito do prazer na educação deve ser combatido com veemência. A leitura dos grandes clássicos é difícil, árdua e cansativa – mas ali sim teremos a maior chance de aprender algo.
Por exemplo, amanhã começa o Seminário Brasil Central Music / Bananada 2008. Para quem tem uma banda ou se interessa no mercado musical de hoje, é uma oportunidade imperdível. Serão quatro falas que visam mostrar o funcionamento do mercado da música hoje, com dicas interessantes para quem pretende seguir uma carreira na música ou simplesmente gosta de ouvir um som de vez em quando.
O problema é que a experiência me mostra que pouquíssimos gatos pingados irão comparecer ao Sebrae, onde acontecem os debates, no período vespertino de quinta-feira e sexta-feira. E não tem nem a desculpa do trabalho ou da aula, pois a atividades rolam em um baita feriadão. E não tem nem a desculpa da falta de dinheiro, pois a entrada é franca. E não tem nem a desculpa do local de difícil acesso, pois o Sebrae fica hiper bem localizado no Setor Bueno. A única desculpa é a falta de interesse e o descaso pelo aprendizado, não tenho a menor dúvida disso.
O que me deixa mais triste em relação a isso tudo é o fato de que só atividades em que o coquetel é confirmado podemos ver uma maior mobilização das pessoas interessadas. Ou seja, existe o mais completo desprezo pelos seminários e debates na essência, sendo que o chama atenção são os penduricalhos digestivos. Mas no orkut, o pessoal fica machão e reclama que não tem chance, não tem apoio, não existe incentivo e todo aquele chororô sem fim. É até chato ler reclamação de artista, pois o papo é sempre o mesmo. Só que, por outro lado, o interesse na capacitação e especialização é quase nulo.
Mas é aquela velha história: sorte de que quem se esforça e dá condições para que a sorte lhe ajude; azar de quem só conta com a sorte.
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Seven agora é Orquestra Abstrata 19/05/2008
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Depois de intermináveis reuniões, discussões sem fim, conversas varando a noite das quais muitas eu participei, o Seven finalmente encontrou seu novo nome: Orquestra Abstrata. A insatisfação do antigo trio e agora quarteto com o nome Seven é velha e rememora o primeiro show da banda - no bom e velho Território Brasileiro. Além de não dizer nada, um monte de coisas já é intitulado como Seven - até mesmo algumas bandas.
Como é de práxis com os caras, eles demoraram anos até chegar ao consenso. Mas, no meu entendimento, valeu demais a espera, pois Orquestra Abstrata tem muito mais a ver com a proposta experimental/instrumental de Eduardo Kolody, Aderson Maia, Rogério Pafa e Danilo Melo.
Agora é aguardar que o disco já gravado ganhe as ruas. E será uma honra para a Fósforo lançar o material de uma banda tão legal.
Vida longa à Orquestra Abstrata!

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Novidades para o Vaca Amarela 13/05/2008
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Todos os anos, quando chega o mês de maio, nós da Fósforo Cultural começamos a nos debruçar sobre nosso principal festival: o Vaca Amarela. Como já diz o velho ditado que quem fica parado é poste, sempre nos esforçamos para criar algo novo para este evento. Em 2008, o Vaca Amarela vai para sua sétima edição. Ele está marcado para os dias 05 e 06 de setembro, no Martim Cererê, em Goiânia. Teremos muitas novidades para este ano. Uma ampliação da interface entre música e outras manifestações culturais irá acontecer. A grade será bem mais diversificada que o usual (o que pode até mesmo surpreender e incomodar alguns xiitas do rock). Queremos maximizar o aproveitamento do espaço físico do Cererê. Enfim, as idéias são mil e vamos nos esforçar para colocá-las todas em prática.
Para quem não se lembra, vai abaixo a programação do último Vaca Amarela!

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