Ufa! Os
últimos dois meses foram marcados por uma avalanche de festivais Fora do Eixo,
que deixaram indicativos consideráveis sobre o crescimento e amadurecimento
cada vez mais rápido do Circuito, e dos coletivos que fazem desta rede a
experiência cultural mais vigorosa neste processo de renovação da lógica de
produção cultural em nosso país.
Tudo começou
com o Festival Calango, que em Agosto, deu início a esta avalanche, e serviu de
marco zero na história da construção de novos festivais independentes no país,
pautados por práticas em economia solidária, gestão participativa, integração
das artes e, principalmente, valorização de novos comportamentos e da
diversidade da produção cultural brasileira. Sem dúvida nenhuma, o trabalho
desenvolvido pela galera do Cubo, exibido nacionalmente através do Calango,
evidenciou a capacidade de trabalho, organização e profissionalismo que os
coletivos culturais brasileiros atingiram, e que fazem do Espaço Cubo, a principal
referência nacional deste trabalho.
Após o
Calango, no início de Setembro, foi a vez de nós do coletivo Goma, em parceria
com o coletivo Valvulado, realizarmos o festival Jambolada, em Uberlândia-MG. Neste
ano, pela primeira vez, o Jambolada foi completamente gerido pelos coletivos
locais, fazendo com que cada vez mais Uberlândia se insira neste processo e
traga contigo este estado tão grande e diverso que é Minas Gerais. Retomada as
discussões iniciadas em 2007, o projeto do Circuito Mineiro de Música
Independente ganhou força, com a participação de diversas figuras
representativas desta nova lógica de produção cultural em nosso estado. O maior
reflexo disto, foi a realização no final de semana seguinte ao Jambolada, do
festival Escambo, em Sabará-MG, realizado pelo coletivo Fórceps e que promoveu
um grande encontro mineiro de coletivos, com representantes de 8 cidades
diferentes, demonstrando a intensidade de um processo que começou a pouco mais
de uma ano.
Logo em
seguida, foi a vez do coletivo Catraia, de Rio Branco, no Acre, realizar mais
uma edição do festival Varadouro, marcado cada vez mais pela busca da
organização e articulação da cena da região Norte, durante tanto tempo
esquecida e subestimada pelos olhares preconceituosos da galera do Sul, mas que
demonstra claramente o seu potencial e importância dentro da lógica Fora do
Eixo, e também com a integração
latino-americana através de práticas de intercâmbio cada vez mais intensa com os nossos vizinhos, que compartilham de
grande parte de nossas dificuldades e podem contribuir significativamente para
a busca de novas alternativas e experiências culturais.
Foi muito
interessante perceber cada vez mais a troca de tecnologia entre estes 3
festivais, e estas 3 cidades, que formam, hoje, a Trinca Fora do Eixo. Quem por
acaso foi a um deles, pode perceber claramente a presença do outro, seja
através dos artistas, dos produtores e dos jornalistas que formam estes
coletivos locais, e que mergulham cada vez mais nesta experiência de troca e
cooperação que marca todo este processo.
Parabéns a
todos os coletivos e agentes que fizeram desta avalanche de festivais Fora do
Eixo uma fonte de estimulo e legitimidade para o Circuito, e mostraram
verdadeiramente os princípios essenciais deste processo, e vida longa aos
festivais independentes......
Há exatos 7 anos, 2 meses e 7 dias, eu e mais 3
jovens universitários, o luthier Guarany de Lavor, o
multi-instrumentista e midiático Ricardim do Porcas Borboletas, e o
músico e ativista da cultura popular Daniel Raizerus, invadíamos uma
escolinha infantil, a Amarelinha, para resignificar com nossos riffs,
batuques e pincéis, aquele espaço lúdico, e transformá-lo num ambiente
coletivo e criativo disposto a intervir diretamente no universo
cultural local.
Entre jam sessions, namoros, diálogos pertinentes e impertinentes,
ensaios e bebedeira, um novo ambiente cultural era criado, e
rapidamente este caldeirão cultural que fervia entre os muros da
república começou a escorrer por toda a cidade de Uberlândia. Bandas se
formaram, como o Dirauira, o Filhos da Noite e Porcas Borboletas, e
consolidaram o som autoral em nossa cidade. O Festival Jambolada nasceu
e colocou definitivamente Uberlândia no mapa da música independente
brasileira, e mais recentemente, toda a efervecência amarela deu
suporte para a construção do Espaço Cultural Goma, que representa,
definitivamente, todos os princípios e símbolos cultuados neste período,
e que levaram a consolidação de uma nova cena independente nacional
Passados 7 anos, o Goma celebra o aniversário da República mais
rock and roll de Uberlândia, que hoje, já desterritorializada, abandona
os limites físicos que caracterizaram a nossa morada, para dar um novo
passo nesta cena pós-moderna uberlandense: a formação da Amarelinha
Armação Cultural Ilimitada, que promete dar sequência a toda a
movimentação construída neste período. Mais do que festejar a república
que se foi, o dia de hoje celebra o encontro de jovens artistas que por
acreditarem em seus sonhos e devaneios transformaram uma realidade
cultural que não atendia aos seus anseios. Pautados por um respeito a
diversidade, e uma valorização da autenticidade, estes jovens
despretensiosos, e completamente entregues a construção de novos
símbolos, e modelos de organização, encontraram novos parceiros, e se
integraram a este grande movimento nacional que é o Circuito Fora do
Eixo. Este novo encontro possibilitou uma ampliação significativa de
nossos horizontes, e como somos ávidos por novos desafios, estamos aqui
contribuindo para a transformação da realidade musical brasileira.
Agora é só esperar a festa começar, e curtir o lançamento do disco
Artista = Pedreiro, da banda Macaco Bong, que inclusive, como outros
tantos artistas do cenário independente brasileiro, já se hospedaram em
nossa república, e entendem muito bem tudo isto que eu acabei de
escrever.
Vida longa a Amarelinha, e a todos estes encontros maravilhosos que transformam a nossa vida e nos fazem crescer....
Abraço a todos e inté!
OBS: Vale deixar um grande abraço a todos que um dia fixaram residência na Amarelinha: os videomakers Tassio Lopes e Marco Nagôa, o percussionista Fabricio Penha, a artista plástica Fabiana Mortoza, o antropólogo e baixista Márcio Bonesso, o músico e luthier Alessandro Vacão, o doutor Daniel (médico) e o turista João Paulo.
Sem dúvida nenhuma, o mês de abril de 2008 demonstrou aos céticos e incredúlos a força da nova cena independente nacional. Uma sucessão de ações e eventos de grande fôlego evidenciaram o grau de profissionalismo e engajamento, que estes novos agentes da música brasileira alcançaram, além de ficar claro, a força desta nova música brasileira, que circulando por festivais e casas de show, consolidam um público cada vez maior e mais aberto a diversidade musical que caracteriza o nosso país.
Abril pró-rock. Tocabocanocd. Festival Goma. Revirada Cuiabana. Virada Cultural. Conexão Vivo. Turnê Filomedusa. Lançamento nacional do Portal Fora do Eixo.
Tudo isto distribuido em 30 dias apenas.
Quem acompanhou o lançamento do Portal Fora do Eixo teve a oportunidade de vivenciar estas e muitas outras iniciativas que fizeram deste mês de abril, um mês especial para a música independente. Este post é dedicado a saldar todos os produtores, artistas, técnicos e jornalistas que trabalharam duro neste último mês, e já tão ralando novamente, pois maio já começou quente com o Festival Casarão e o PMW Festival.
Salve os pedreiros da música! Salve a nova música brasileira!
Abraço e inté!
Talles Lopes
OBS: Este post foi escrito em Belo Horizonte, onde o Porcas Borboletas se apresenta daqui a pouco, no Conexão Vivo, e seu texto desconexo e fragmentado reflete os efeitos deste mês onde a estrada foi minha casa.
Festival Goma, Tocabocanocd, e que venha a virada cultural....
26/04/2008
Olá a todos,
Depois de uma semana muito ativa para o Circuito Fora do Eixo, agora é a hora de prepararmos o corpo e a mente para mais uma grande rodada de shows e articulações que a Virada cultural em São Paulo promete. Semana passada encaramos o desafio de realizar o primeiro festival no Goma, e felizmente os resultados foram bem bacanas, com o público da cidade respondendo muitíssimo bem e com maravilhosos shows, merecendo destaque as passagens das bandas Charme Chulo, do Paraná, Humana, do Chile, e Filomedusa, do Acre, além das novas promessas da cena uberlandense, como as bandas Dissidentes, Dyf, Fadiga e Juanna Barbera. Vocês podem conferir toda a cobertura aqui mesmo no portal, ou no nosso blog (www.gomamg.blogspot.com). Mesmo com todo o trampo para realizar o festival consegui descolar um tempinho para cair em Goiânia com a difícil tarefa de julgar a nova cena da Seattle brasileira. Dividi esta tarefa com dois grandes amigos, Rodrigo Lariú, da lendária Midsummer madness, e a Martinha, da Casa de Farinha. É muito interessante perceber os novos caminhos e velhos obstáculos que uma cena conceituada como a de Goiânia passa para se reproduzir. Diante de bons conceitos ainda verdes, e velhos formatos já prontos, venceu a segunda opção com a vitória da bem estruturada Mugo, com seu metal bem feito e com muita propriedade. Além disto, valeu por encontrar com velhos amigos goianos, João Lucas, Pablo Kossa, Fabrício Nobre, Eline, Diogo e ver também grandes shows de novas promessas da música independente, merecendo destaque a nova The Sinks, de nosso parceiro Anderson Foca, e o "grande" Diego de Morais e seu Sindicato, uma das grandes revelações do Circuito Fora do Eixo no ano de 2007. Parabéns a toda a galera da Fósforo por esta iniciativa... Grande final de semana para o Circuito Fora do Eixo e as cenas de Goiânia e Uberlândia. E como as coisas não param neste novo cenário da música independente, já arrumei as malas e parti para São Paulo, não só para conferir a virada cultural, mas também para cumprir uma agenda de reuniões e articulações para o Circuito Fora do Eixo e as Casas Associadas, e é claro, acompanhar de perto a nova música brasileira, que estará se apresentando no Palco da Abrafin, dentro da Virada Cultural. Na próxima semana eu conto o que rolou para vocês... Grande abraço a todos e inté.
É com grande alegria que dedico esta primeira postagem ao lançamento do Portal Fora do Eixo.
São muitas conquistas que fizeram do Circuito Fora do Eixo
um dos movimentos culturais mais importantes do Brasil atualmente. A
ampliação da circulação de bandas e produtores, a efetivação da Fora do Eixo Discos e do Compacto Rec, o crescimento dos Festivais Independentes,
a entrada no mapa da música brasileira de regiões excluídas pela lógica
de mercado, tudo isto já seria motivo suficiente para comemorarmos.
Contudo, o nascimento do Portal Fora do Eixo
celebra e consagra todas estas iniciativas, provando a consistência
deste movimento. Além de servir como plataforma para a divulgação de
todas as ações do circuito em território nacional, este espaço também
servirá de base para divulgação e disseminação dos princípios associativos e auto-gestionários, pautados na lógica do software livre, que não só caracterizam este movimento, como ajudam, hoje, a reconstruir a história da música brasileira.
Salve o Portal Fora do Eixo! Salve o Circuito Fora do Eixo! E espero que esta nova onda da música brasileira também pegue você.